Nunca tinha entendido muito bem as palavras do
meu pai, o sábio Sérgio Adaid. Segundo ele, a gente só cresce na dor. Passei a vida ouvindo essa frase e agora começo a compreender a profundidade dessa ideia. Realmente não dá para sentir algo hipotético. Precisamos viver para, de fato, perceber um sentimento.
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Aproveitando a quarentena para colocar a leitura em dia.
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Se alguém me dissesse que passaríamos por isso em pleno século XXI jamais teria acreditado. E não é que a tal “teoria da conspiração” deixou o campo teórico e virou o nosso mundo de cabeça para baixo?
Muitos, literalmente, perderam suas vidas. Outros tantos perderam entes queridos. Milhares perderam a renda. E todos perdemos a espontaneidade de um carinho, de um beijo e de um abraço apertado.
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Será quando que teremos outros momentos assim? Saudade maior que eu dessas minhas amigas / irmãs.
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Mas em toda perda existe um ganho. Acredito que a energia do universo continua circulando para manter esse equilíbrio de forças. Na minha Vida de Cozinheiro venho focando nesses ganhos.
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A minha Vida de Cozinheiro anda bastante agitada nessa quarentena.
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Mas no meu lugar de fala, nesse momento mais de cozinheira do que de jornalista, estou tentando passar através dos meus textos um pouco de carinho e conforto para você que acompanha
esse meu projeto de vida.
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Comida caseira, um carinho para a alma!
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E são esses ingredientes que estão me ajudando a manter a calma. Que estão dando a energia que
o meu marido precisa para sair para trabalhar mesmo com o medo de adoecer. Que estão me fazendo ter certeza que tudo isso vai passar.
Sei que esse "olhar" não é um receita pronta. Todos nós temos uma bagagem que pesa muito na hora de incluir “mais sabedoria” ou “mais tranquilidade” ou “mais fé” a algo que se quer fazer, seja esse “algo” uma preparação ou uma caminhada inteira.
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Na cozinha ou na vida, cada ingrediente adicionado pode fazer a diferença no final.
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E são essas “pitadas” de sentimentos bons, adicionadas diariamente a tudo o que fazemos, que acabam definindo o resultado de cada novo preparo.
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A estrada pode ser tão bela quanto as conquistas. Mas a gente costuma se esquecer disso.
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Por falar nisso, nesse tempo de incertezas, ando lembrando de outra prática do cozinheiro Adaid: a de dar nome ao prato somente depois de prová-lo. Isso era algo recorrente na minha vida de cozinheiro ao lado do meu amado pai e que hoje eu entendo bem.
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Meu querido pai, o sábio Sérgio Adaid, me ensinou lições importantes através da Vida de Cozinheiro.
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O mesmo se aplica à ansiedade do momento: que sentido faz querer entender como será o mundo pós-pandemia se a gente ainda nem consegue digerir o que nos está sendo apresentado?
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O meu maridão Thiago Inter, jornalista do PróximoEmbarque.com, aprendeu a cozinhar durante a quarentena.
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Na cozinha tudo tem seu tempo. E isso todo cozinheiro sabe. Agora, forçosamente, venho tentando ensinar o conceito às outras “Marianas” da minha vida. Para ajudar nesse processo, venho fazendo uso do meu melhor remédio: escrever.
Transformar sentimentos em palavras, sem dúvida, deixam meu coração mais leve, quase como o sonho que um dia eu provei com a vovó Neném, o vovô Dimas, a mamãe e a Fabi lá no hotel Estrada Real, em Ouro Preto.
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O "Sonho da Estrada Real" tem esse gosto aí da foto, de chamego de vó e de vô. Saudade eterna desses meus segundos pais.
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Já se vão trinta e cinco anos daquele inesquecível passeio pela histórica cidade mineira. De tudo o que vi e comi o que mais ficou do momento foi aquele pedacinho frito de farinha de trigo e ovo enfeitado com açúcar e canela.
Um quitute tão fácil de fazer e que seria só mais um prato para o lanche da tarde se não fosse esse gosto de infância, de família, de felicidade...
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Sonho que alimenta a alma...
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Alegrias que podemos experimentar juntos. Eu daqui e vocês daí. É só colocar numa tigela quatro ovos, meia xícara de chá de açúcar, uma xícara de chá de queijo minas ralado, duas xícaras de chá de farinha de trigo e uma colher de sobremesa de fermento químico em pó. E mexer bem.
A mistura vai ficar meio mole, mas a ideia é essa: fritar os sonhos em colheradas. Os bloquinhos de massa vão bater no fundo da panela e logo vão subir e inchar. Vão virar balõezinhos lindos e corados.
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Para fritar os bolinhos o óleo não pode estar nem muito quente e nem muito frio.
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Mas cuidado com o óleo, viu? Se tiver muito quente, em vez de dourar, eles vão queimar. Lembrando sempre de respeitar esse distanciamento entre os bolinhos. Nada de colocar muito sonho junto no óleo porque as bolinhas não vão cozinhar por dentro.
E elas não precisam só parecer bonitas. Elas tem que estar prontas para serem mordidas, saboreadas e devidamente nomeadas.
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Esse bolinho é, para mim, o melhor acompanhamento do café da tarde.
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Aí na casa de vocês eu não sei o que essas bolinhas de alegria vão representar. Mas sei que, se ganhar nome, ele vai vir da alma.
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Experimente cozinhar nessa quarentena. Você pode adorar a experiência.
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Espero que esses pedacinhos de esperança,
leves como as receitas de vó, sejam tão intensos para você quanto são para mim. E desejo, do fundo do meu coração, que deixe a sua Vida De Cozinheiro em quarentena também mais feliz!
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